5 problemas comuns na indústria de moda

5 problemas comuns na indústria de moda

Os números não deixam mentir, a indústria da moda no Brasil é uma das mais fortes do mundo. De acordo com a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) foram investidos cerca de US$ 479 milhões no setor em 2018, sendo que ele também é considerado o segundo maior empregador da indústria de transformação do país, ficando atrás apenas do ramo alimentício. Apesar disso, existem alguns problemas na indústria da moda que são verdadeiros desafios para os empresários do ramo.

Entre as dificuldades não estão apenas em analisar a cadeia de suprimentos, o gerenciamento de fornecedores, a emissão de documentos, entre outros. Esta em perceber a mudança de comportamento do cliente, seus hábitos de consumo e a sua maneira de consumir. Se essa realidade desafiadora faz parte do seu dia a dia, você terá que repensar seu negócio daqui em diante.

1. Fazer a mesma coisa, do mesmo jeito e querer resultados diferentes.
A confecção de moda é, sem duvida, a mais dinâmica entre as diversas formas de se fazer roupas no mundo. Como foi apontado acima, é um mercado enorme e muito lucrativo porem, essa dinâmica em mudar coleção após coleção só fica no processo criativo, a maneira como Lojista vende e oferece seus produtos é a mesma há anos.

O fato é que as empresas não estão se atentando a um ponto chave, o consumidor esta mudando e sua maneira de consumir também. Falando assim talvez você em e-commerce, loja on line, grupos de whatsapp etc mas, não estou me referindo exatamente a isto, falo da maneira de enxergar o negócio e como fazê-lo acontecer.

Antigamente, há 10 anos atrás, bastava o lojista encontrar um PDV bem localizado, decorar sua loja de forma bacana e levantar as portas e esperar o cliente entrar. Esta estratégia esta deixando de ser efetiva, e poucos empresários estão atentos a esta mudança, talvez justificando a perda constante de vendas ano após ano, usando o argumento da crise, do aumento do dólar, das questões relativas ao consumo e etc porem, o ponto central é que o lojista não colocou o cliente no centro do seu negocio, nunca pensou de forma exaustiva o perfil do avatar, questões como publico alvo e estratégias de comunicação sempre foram muito superficiais e de argumentação imediata.

O consumidor esta mudando e sua maneira de consumir também, o empresário que quiser crescer neste mercado que é extremamente competitivo terá que pensar de forma diferente.

2. Amadorismos na confecção
Seja com o colaborador, seja o proprietário, muitas confecções ainda medem sua eficiência de forma simplificada e até amadora. Dá para contar nos dedos a quantidade de funcionários que estão engajados, verdadeiramente, com seu trabalho. Já no caso do proprietário ou gestor do negócio o assunto é diferente, ou ele está confortável com o seu volume de venda e isso faz como que ele deixe seu negócio seguir da forma que está, ou ele, percebendo o prejuízo, muitas vezes não enxerga a origem e as causas.
Um grande exemplo desta maneira simplista de tocar o negócio esta no PDV. Na loja, seja atacado ou varejo, o lojista usa o recurso da comissão para estimular a venda do seu funcionário, caso o vendedor concretize a venda, ele recebe uma porcentagem sobre ela.
Imagine 2 vendedores, João e Maria e que cada um tenham um resultado de venda diferente:

Olhando o quadro ao lado, você sabe me dizer qual o melhor vendedor?
Sim, depende, e este é o ponto, a grande questão é que os lojistas estão preocupados com a venda, e não necessariamente com o lucro, venda e lucro podem ser coisas diferentes. O empresário que deseja ter um negócio próspero terá que aprender a ver seus hábitos de maneira diferente e buscar engajar seus funcionários a trabalharem de forma mais eficiente.

3. Gestão do seu negócio no nível de detalhe.
Na prática do dia a dia, a captação de informações sobre o que esta ocorrendo com suas vendas, produção, gestão de processos e estoque é obtida de forma muito simples, muitas vezes se consegue esta informação quando o empresário ou gerente vai até o local ou seção da empresa e consulta visualmente o que esta ocorrendo. Um exemplo disto é quando o dono vai até o estoque e fica olhando os tecidos comprados, as quantidades, se chegou no prazo etc.

Muitas vezes a confecção possui um ERP ou uma planilha onde se faz o gerenciamento das informações porem, como ele sabe que se o engajamento do funcionário é o mínimo, não dá para confirmar 100% nas informações dispostas no ERP então, o jeito é ir pessoalmente verificar cada setor produtivo.

Muitos fabricantes de moda ainda enfrentam problemas com relação à gestão de processos e fases. Uma série de lojistas que precisam ser atendidos, a velocidade de mudança das coleções, o atendimento ao consumidor final, as diferenças regionais, a dificuldade de acesso do transporte, tudo isso aumenta as dificuldades, ampliando a imprevisibilidade da demanda.

A correria do dia a dia não permite que o empresário consiga extrair mais informações e observar, muito tem um certo preconceito com a tecnologia, pensam que ela irá dificultar seu trabalho, na realidade é o contrario, ela irá facilitar sua gestão porem, o empresário precisa estar aberto a pensar diferente e querer enxergar de forma diferente seus hábitos e seu negócio.

4. Mão de obra sem qualificação
De acordo com a publicação “Gestão de Fornecedores no Varejo de Moda”, financiada pelo Programa Valor em Cadeia e publicada em 2015, um dos maiores problemas na moda no Brasil é a falta de mão de obra qualificada para atuar no setor. O problema se torna mais grave quando são colocados os aspectos característicos dos trabalhadores do segmento: informalidade e o fato de a indústria de confecção ser a segunda em relatos de mão de obra escrava.

O Brasil esta entre os 30 países que mais cobram impostos, e as fábricas ao longo dos anos enxugaram seus custos terceirizando seus serviços de fabricação. Até ai tudo bem, o problema é que surgiu desta situação uma classe de novos negócios, o problema é que esta mão de obra em sua grande maioria e informal e faz gestão de seu próprio tempo alem de descumprir as ordens trabalhistas.

Não existe solução fácil para esta situação, o governo precisa repensar sua tributação e fazer as reformas que são necessárias para o crescimento sólido do mercado têxtil e de confecção, por outro lado o empresariado tem uma força incrível para promover soluções em paralelos, um grande exemplo disto é a China que, tem em seus presídios uma oficina de costura, algumas prisões dispõem de linhas produtivas inteiras para produção de peças de vestuário, isso também existem no Brasil, mas, de forma muito modesta e desorganizada, será que um grupo de empresários não poderiam se unir para formar novos profissionais? Afinal, algumas etapas do processo fabril estão ficando defasadas e difícil de trabalhar, a solução é unir forças, não tem jeito.

5. O dia da ‘meia nota’ esta acabando.
A informalidade é outro problema que assola a indústria de moda brasileira. Além de gerar grande concorrência devido às empresas que atuam na informalidade, isso reduz a competitividade. Uma boa parte do mercado vende roupas sem nota fiscal mas, este tempo esta ficando para traz, o governo sabe que não é mais possível aumentar a carga tributária no pais, não importa qual segmento, o aumento é inaceitável. Já que não é possível aumentar então ele vai supervisionar as operações.

O T-Rex, um supercomputador montado nos Estados Unidos que leva o nome do devastador Tiranossauro Rex, e o software Harpia, desenvolvido por engenheiros do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e da Unicamp e batizado com o nome da ave de rapina mais poderosa do país, são as mais novas armas da Receita Federal do Brasil para combater a sonegação fiscal e elevar a arrecadação.

Os primeiros alvos foram: empresas brasileiras que importam e exportam.

Desde janeiro de 2006, a Receita coloca em operação um equipamento capaz de cruzar informações com rapidez e precisão de um número de contribuintes equivalente ao do Brasil, dos EUA e da Alemanha juntos. O projeto de aquisição e instalação do T-Rex, fabricado pela IBM e que pesa aproximadamente uma tonelada, levou seis meses.

Está instalado no Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), em São Paulo. O software vai permitir que, a partir de uma técnica de inteligência artificial (combinação e análise de informações de contribuintes), sejam identificadas as operações de baixo e alto riscos para o fisco isto é, se há ou não indícios de fraude. Esse programa de computador faz parte do projeto Harpia, que vai integrar e sistematizar as bases de dados da Receita, além de receber informações de outras fontes, como secretarias estaduais da Fazenda, e de investigações já realizadas, como a CPI do Banestado.

O que isso significa, após 10 anos de implementação, já sabe o que você vai declarar antes mesmo de você saber disso. Certa de 30% do PIB do Brasil equivale as sonegações e fraudes praticadas, a meta do governo até 2020 é reduzir esta porcentagem para 7%.

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